RADIO WEB JUAZEIRO : Transplante faz paciente viver 45 dias com dois corações; entenda
terça-feira, 23 de novembro de 2021

Transplante faz paciente viver 45 dias com dois corações; entenda

Procedimento inovador, realizado no InCor, é indicado para pacientes com quadros específicos

Por Agência O Globo

Reprodução O Globo

Lincoln Paiva, urbanista que teve dois corações batendo simultaneamente em raro transplante realizado em São Paulo
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Poderia ser o enredo de um romance ficcional: um homem com dois corações batendo no mesmo peito. Mas, na realidade, essa é a história do urbanista Lincoln Paiva, de 54 anos, que passou por um tipo inovador de transplante cardíaco no Instituto do Coração (InCor), em São Paulo.

O procedimento — ainda em fase de estudo — é dedicado a quadros de saúde muito específicos: pacientes que sofrem de insuficiência cardíaca, indicados para transplante, mas que também apresentam um tipo de pressão alta pulmonar (normalmente fruto dos problemas iniciais no coração). Este era o caso de Lincoln, e, por isso, ele foi escolhido pelos médicos para inaugurar o tratamento.

Quando aceitou participar do estudo, o urbanista estava internado no InCor em tratamentos paliativos — dedicados a amenizar as dores e sintomas de pessoas que sofrem de doenças ou complicações de saúde para as quais não há cura, tampouco tratamento.

A alternativa para a doença terminal do paulistano veio pelas mãos do novíssimo procedimento, do qual ele foi paciente inicial. Por 45 dias, o paciente teve dois corações em funcionamento no peito. Um era o órgão original de Lincoln e outro transplantado após uma doação. Juntos, eles deveriam reduzir a pressão do sangue nos pulmões, mas também comandar todo o sistema circulatório do paciente.

De acordo com Fabio Gaiotto, cirurgião cardiovascular criador da técnica, todos os meses entre 3 a 4 pessoas surgem no InCor com problemas de saúde semelhantes, mas a abordagem médica disponível para o caso — o uso de uma bomba artificial — não está disponível para os pacientes do Sistema Unico de Saúde (SUS) e é rara no Brasil. Por conta do problema no pulmão, esses pacientes não são indicados para o transplante, o que seria uma abordagem viável para os problemas do coração.

"É muito dramático para um médico contraindicar um procedimento (o transplante) e deixar o paciente sem saída. Isso me incomodava muito. Por isso decidi estudar hipertensão arterial e transplante cardíaco, em busca de uma alternativa", conta Gaiotto.

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