RADIO WEB JUAZEIRO : Paula Fernandes diz que queria ter tomado um vinho com Marília Mendonça, e Roberta Miranda elogia Rainha da Sofrência
terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Paula Fernandes diz que queria ter tomado um vinho com Marília Mendonça, e Roberta Miranda elogia Rainha da Sofrência

Paula Fernandes e Roberta Miranda cantam em show
Foto: Divulgação

Texto e apuração: Danilo Perelló e Leonardo Ribeiro Produção e coordenação: Ana Carolina de Souza, Camilla Mota e Gabriela Germano

As representantes do feminejo sabem bem — e valorizam — quem são as artistas que desbravaram o universo masculino do sertanejo antes delas. E as veteranas, por sua vez, não negam o orgulho que sentiram ao ver novas meninas surgindo e endossando o coro de uma batalha que há tempos era delas.

— Por que eu fiquei 25 anos sem nenhuma outra mulher entrando no sertanejo comigo? Elas são parte do meu legado, e fiquei muito orgulhosa logo que as vi, sabia que eram diferenciadas. Aplaudo, e considero importante, tudo o que vem a somar para o sertanejo — valoriza Roberta Miranda, que sabe melhor do que ninguém o que foi enfrentar o machismo para se firmar no mercado: — Se hoje ainda é difícil vencer o preconceito, imagine na época em que comecei. Levei muita porrada, mas sempre fui muito determinada, incisiva e respondia com meu talento. Porque, contra ele, não há argumentos.

Independentemente da época, as artistas precisaram enfrentar desconfianças do showbiz, se depararam com investimentos bem menores em relação aos homens e as barreiras se davam até no que parecia mínimo, como a estrutura física para uma turnê.

— O sistema de entretenimento sempre foi moldado por homens e para os homens. Para além dos “nãos” por não quererem investir em uma mulher, vinham outras barreiras quando eu já estava fazendo sucesso. Um palco, por exemplo. Sempre usei salto alto, e muitos deles eram feitos com buracos, eram instáveis, não davam condições para que eu fizesse minhas performances. Se eu pedia um camarim para fazer as trocas de roupa, era vista como exigente. Mas é que um homem troca de camisa em qualquer lugar, passa um perfume e está pronto. Já vi contratante revirando o olho porque eu pedi um banheiro químico para mulher. E aí começam a nos tachar de chata, antipática e por aí vai — desabafa Paula Fernandes.

A mineira, que era o nome mais forte do período pré-feminejo, também precisou lidar com fofocas maldosas que buscavam uma suposta rivalidade com a nova geração.

— Eu era uma artista cantando minhas canções românticas e, de repente, vieram esses meteoros incríveis, essas mulheres cantando de um jeito mais livre, sendo fantásticas e dando outra faceta para as músicas, saindo daquele lugar de submissas. Ali, tentaram criar uma rivalidade entre nós que nunca existiu. Foi uma pena ter vivido isso, porque eu estava com o coração quentinho, pois sempre torci para que mais mulheres surgissem. E só nós sabemos o que passamos, os preconceitos que enfrentamos. Somos guerreiras e sempre estivemos no mesmo barco — enfatiza Paula.

Cantora sertaneja Paula Fernandes Foto: Divulgação

Por sorte, foi o lema de união que imperou entre as artistas. Quando completou 30 anos de carreira, em 2017, por exemplo, Roberta Miranda reuniu Maiara e Maraisa, Simone e Simaria, Marília Mendonça, Naiara Azevedo e Solange Almeida para um show especial (que rendeu CD e DVD), chamado “Os tempos mudaram”.

— E as meninas sabem que estou aqui para o que der e vier. A união faz a força — diz Roberta Miranda.

Das relações, surgiram inspirações recíprocas. Mas situações tristes, como a partida precoce de Marília Mendonça, deixaram um gostinho de que alguns laços poderiam ter se estreitado ainda mais.

— Quando vi um vídeo de Marília cantando uma música que nasceu de mim, “Jeito do mato”, aquilo me deu tanto orgulho! Deu uma sensação de que eu a encorajei de alguma forma. Da mesma forma, ela também me encorajou. Eu comentei no “Domingão” sobre a música “Infiel” ter me ajudado a superar uma traição destruidora. Tivemos uma troca inconsciente naquela época ainda sem saber uma da outra. E queria ter falado mais sobre isso para ela. Depois, nos encontramos profissionalmente várias vezes. Sempre fui muito caseira, e as meninas mais festeiras. Sabe que me arrependo de não ter, por exemplo, sentado para tomar um vinho com Marília? — confessa Paula.

E pela importância que a Rainha da Sofrência tem para o mundo sertanejo, ela segue sendo homenageada.

— Eu cantei “A flor e o beija-flor”, da Marília, nos meus shows. É a minha favorita e me identifico muito com a canção. Assim como me identifiquei com ela logo que a vi pela primeira vez. Pela história, pela trajetória, até pelo físico. Quando comecei, eu também era gordinha (risos). Me via nela. E lembro quão emocionante foi o nosso primeiro encontro. É o que falo, Marília e as meninas são parte do meu legado. E ela deixou o dela — afirma Roberta.

Para Roberta e Paula, inclusive, toda essa herança não pode parar por aqui.

— Temos que ter mais meninas, entendeu? Agora que elas vieram com o feminejo, não vamos e não podemos parar. A renovação tem que vir sempre — reforça Roberta.

Paula resume:

— Queremos cada vez mais estrelas. O importante é a mulher em cima do palco.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por seu comentário.

COMPARTILHE