RADIO WEB JUAZEIRO : Cresce interesse por motos por alta no preço dos carros novos
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Cresce interesse por motos por alta no preço dos carros novos

A falta de peças no mercado primário tem alavancado a busca por carros usados e de leilão, que já apresentam valorização de cerca de 30%

Por Agência O Globo

Divulgação
Harley-Davidson

No último ano, muitos brasileiros resolveram trocar as quatro rodas por duas e, assim, diminuir despesas no orçamento, mantendo um veículo próprio. A alta no preço dos automóveis e o custo elevado nas bombas de combustíveis tem feito o interesse pelas motos crescer cada vez mais. De acordo com levantamento exclusivo feito pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) a pedido do Extra, o número de renovações nas carteiras "A" cresceu 36% na comparação entre 2021 e 2019. No mesmo período, o número de novos condutores aumentou 2,25%.

Quando a comparação é feita com 2020, o primeiro ano da pandemia, os dados são ainda mais expressivos: a quantidade de primeiras habilitações para motocicletas cresceu 77%.

Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, no Estado do Rio, há postos em que o preço da gasolina já chega a R$ 8,029. Só em 2021, o valor desse combustível subiu cerca de 46%. Em paralelo, a falta de peças no mercado primário tem alavancado a busca por carros usados e de leilão, que já apresentam valorização de cerca de 30%.

O coordenador do MBA de Finanças do Ibmec RJ, Gustavo Moreira, diz que a moto tornou-se uma opção mais viável já que, para donos de carros, há despesas expressivas com combustível, estacionamento, IPVA, manutenção e pedágio. Além disso, sugere que alguns trabalhadores começaram a trabalhar com logística na pandemia, através da entrega de correspondências ou refeições, o que teria alavancado a procura por motos.

"Quem teve compressão de renda recorreu à moto como opção de renda extra. Mas é válido lembrar que o risco de acidentes é alto. Portanto, é necessário ter um bom plano de saúde e um seguro de vida que cubra despesas no tempo que precisar ficar afastado, caso isso ocorra", analisa.

A advogada Thayli Takioche, de 26 anos, que já dirige carro, resolveu tirar habilitação para moto no ano passado e foi aprovada em dezembro. Morando na Tijuca, costuma ir visitar os pais todos os fins de semana em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, para ajudá-los no restaurante da família. Pelos seus cálculos, com a ida e a volta, percorre mais de 70 quilômetros.

"Meus pais têm um carro, mas vi que eles gastavam muito dinheiro com combustível e para arcar com qualquer conserto. Como todo mundo falava que a moto era econômica, resolvi migrar para esse veículo", conta Thayli: "Comprei uma moto usada na última sexta-feira por R$ 8.750 e gastei R$ 85 para encher o tanque. Esse valor seria insignificante se eu fosse adquirir um carro."

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